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A essência da revolução pós-moderna, pós-kantiana (que
está por trás de tudo, desde a hermenêutica ao contextualismo, ao
construtivismo) é que fenômenos (como o átomo de hidrogênio) não estão
simplesmente lá fora aguardando para que todos os vejam, uma visão agora
considerada "desesperadamente ingênua" e chamada de "o mito do dado" (o
ponto é que nenhum fenômeno é meramente dado). Pelo contrário, os
fenômenos são atuados, gerados, desvelados e iluminados por uma série de
comportamentos do sujeito observador. Dizemos que os fenômenos são atuados
e gerados por injunções, paradigmas ou práticas sociais ("se você quiser
saber aquilo, deve fazer isto"). E eis aqui o cerne da questão: todos os
paradigmas ou injunções são iniciados por um sujeito (ou grupo de
sujeitos), e todos os sujeitos têm disponível para si diferentes estados
de ser ou estados de consciência. Segue daí que um estado de consciência
diferente dará à luz um mundo diferente.
Tal é exatamente o princípio da atuação. A
subjetividade (ou a intersubjetividade, que discutiremos mais tarde) dá à
luz um mundo fenomenológico na atividade de conhecer esse mundo. Neste
momento, permita-me ir adiante e simplesmente apresentar a interpretação
AQAL dessa revelação pós-moderna.
Sujeitos não percebem mundos, e sim os atuam.
Diferentes estados dos sujeitos dão à luz diferentes mundos. Para AQAL,
isso significa que um sujeito pode estar em uma onda particular de
consciência, em uma corrente particular de consciência, em um estado
particular de consciência, em um quadrante ou outro. Isso significa que os
fenômenos gerados por vários tipos de pesquisa humana serão diferentes,
dependendo dos quadrantes, níveis, linhas, estados e tipos dos sujeitos
que estão dando à luz os fenômenos. Um sujeito em uma onda de consciência
não atuará e gerará o mesmo espaço-de-mundo que um sujeito em outra onda;
o mesmo sucede com quadrantes, correntes, estados, e tipos (como veremos
em mais detalhes).
(...)
O ponto é simplesmente que, em princípio, julgamentos
interparadigmáticos são possíveis porque não existe apenas um mundo com
paradigmas competindo para dominá-lo, uma guerra tipo rei-do-pedaço, que
joga todos os perdedores no lixo, pois não há perdedores. Não existe um
mundo único no qual todos os paradigmas lutam por supremacia, mas muitos
mundos dados à luz por paradigmas diferentes, mundos que podem ser
testemunhados pelos mesmos sujeitos, se eles se submeterem à disciplina
dos paradigmas necessários para gerar esses mundos. E enquanto "o" mundo
não consegue conter muitos mundos, a consciência consegue. E porque já
sabemos que há de fato muitos mundos, segue que já temos uma
conscientização com capacidade interparadigmática, uma capacidade que pode
resultar em avaliação metateórica, como a oferecida por AQAL. |
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(Ken
Wilber,
Excerto B do vol. II de Kosmos Trilogy)
- tradução para a língua portuguesa de Ari Raynsford (www.ariray.com.br)
em janeiro de 2007 |
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"The essence of the postmodern,
post-Kantian revolution (behind everything from hermeneutics to
contextualism to constructivism) is that phenomena (such as the hydrogen
atom) are not simply lying around out there waiting for all and sundry to
see, a view now considered "hopelessly naive" and referred to as "the myth
of the given" (the point being that no phenomenon is merely given).
Rather, phenomena are enacted, brought forth, disclosed, and illumined by
a series of behaviors of a perceiving subject. As we put it, phenomena are
enacted and brought forth by injunctions, paradigms, or social practices
("if you want to know this, you must do this"). And here is the point: all
paradigms or injunctions are initiated by a subject (or group of
subjects), and all subjects have available to them different states of
being or states of consciousness. It follows that a different state of
consciousness will bring forth a different world. [...] Subjectivity (or
intersubjectivity, which we will discuss later) brings forth a
phenomenological world in the activity of knowing that world. At this
point, let me jump forward and simply give the AQAL interpretation of this
postmodern revelation. [...] Subjects do not perceive worlds but enact
them. Different states of subjects bring forth different worlds. For AQAL,
this means that a subject might be at a particular wave of consciousness,
in a particular stream of consciousness, in a particular state of
consciousness, in one quadrant or another. That means that the phenomena
brought forth by various types of human inquiry will be different
depending on the quadrants, levels, lines, states, and types of the
subjects bringing forth the phenomena. A subject at one wave of
consciousness will not enact and bring forth the same worldspace as a
subject at another wave; and similarly with quadrants, streams, states,
and types [...] There is not one world over which all paradigms are
fighting for supremacy, but many worlds brought forth by different
paradigms, worlds that can be eye-witnessed by the same subjects if they
submit to the discipline of the paradigms required to enact those worlds."
(Ken
Wilber,
Excerto B do vol. II de Kosmos Trilogy) |
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"Este padrão holónico e
holárquico do fluxo da existência - transcende mas inclui - é
sintetizado no princípio de desdobramento. Este princípio
heurístico sugere que todos os paradigmas, como todos os momentos,
são em si mesmos verdadeiros e adequados; mas alguns paradigmas
podem ser mais abrangentes, mais inclusivos, mais holísticos que
outros. Isto não torna os outros paradigmas errados, imprecisos,
estúpidos, ilusórios, ou coisa parecida - eles são verdadeiros mas
parciais."
(Ken
Wilber,
Excerto B do vol. II de Kosmos Trilogy)
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"Resumidamente, estou a propor que a psicologia do ser humano adulto
é um processo em espiral que se desdobra, emergente e oscilante,
marcado pela progressiva subordinação de sistemas de comportamentos
antigos e de ordem inferior a novos sistemas de ordem superior à
medida que os problemas existenciais do indivíduo mudam. Cada
estádio sucessivo, onda, ou nível da existência é um estado pelo
qual as pessoas passam na sua caminhada para outros estados da
existência. Quando o ser humano está centralizado num estado da
existência, ele ou ela tem uma psicologia que é particular a
esse estado. Os seus sentimentos, motivações, ética e valores,
bioquímica, grau de activação neurológica, sistema de aprendizagem,
sistema de convicções, concepção de saúde mental, ideias sobre o que
a doença mental é e como deveria ser tratada, concepções e
preferências sobre administração, educação, economia, e teoria e
prática política são todos apropriados para esse estado."
(C. Graves, "Summary Statement: The Emergent,
Cyclical, Double-Helix Model of the Adult Human Biopsychosocial
Systems", Boston, May 20, 1981.
[citado em Endnotes to Boomeritis, Chapter 1.
Disponível
on-line]
-
traduções para a língua portuguesa de João Gonçalves joaovox @ y a h
o o . c o m
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